Encenação da peça “Morte e Vida Severina”, obra de João Cabral de Melo Neto. Foto: Elsson Campos

O último fim de semana foi mais um período marcante para as atividades teatrais em Maricá. Os dois espetáculos encenados na cidade – um no Cinema Henfil e outros no auditório do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), na Mumbuca – mostraram que o público que acompanha as encenações é cada vez maior e mais cativo. Muita gente que esteve no Centro assistindo ao infantil “Pérolas Negras” (que teve ainda uma apresentação extra em São José de Imbassaí, no domingo, além da segunda de praxe) se deslocou para o CEU e prestigiou o clássico “Morte e Vida Severina”, da obra de João Cabral de Melo Neto. Em ambas as peças e nos dois dias, a entrada foi gratuita.

O primeiro espetáculo foi montado pela companhia de teatro Mimos Brasil e teve no palco os atores/cantores Márcia Valença (também responsável pela pesquisa) e Josué Soares (que dirigiu a peça) junto com os músicos Michel Nascimento (percussão) e Rodney Mariano (violão). O enredo fala de uma lenda africana sobre o surgimento de inúmeras histórias, que estavam aprisionados em um baú de uma divindade do continente. Na saída, o público estava visivelmente encantado com o que viu. “É uma história muito boa para crianças, me identifiquei com o jongo”, disse a aposentada Ivone da Silva Souza, de 78 anos, que mora em Santa Cruz(Zoa Oeste do Rio) e foi acompanhada da neta Carla Beatriz Souza, de 29 anos, moradora do Centro.

Para esta peça, a professora Aline Gomes levou a filha Lìvia, de 3 anos, e ambas disseram também ter gostado espetáculo. “É raro se falar em contos africanos, por isso esse espetáculo é tão valido. Mas gostei também da estrutura do teatro, muito boa”, disse ela, que tem 38 anos e mora no Fonseca, em Niterói, mas tem casa em Itapeba. Cerca de uma hora depois, ela estava na Mumbuca para assistir “Morte e Vida Severina”, agora com o marido, o policial militar Alexandre Brandão, de 49 anos.

Para a montagem da consagrada e emocionante história de sofrimento e esperança do povo do sertão nordestino, dez atores formados pela oficina do próprio CEU mostraram o texto de João Cabral de Melo Neto, que tem ainda canções como “Lamento Sertanejo” (de Gilberto Gil e Dominguinhos) e “Funeral de um Lavrador” (parceria do autor com Chico Buarque). A direção foi de Bruno Marçal, também um dos narradores da história.

No fim do espetáculo, ele recebeu um grupo de alunos do curso de teatro do Cinema Henfil – os jovens de 14 e 15 anos também estavam no Centro assistindo à primeira peça. “Isso mostra que hoje há um público interessado não apenas em assistir como em aprender a fazer teatro, é algo que recompensa nosso esforço”, avaliou Bruno.

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