Prefeitura de Maricá fecha aterro da cidade

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Além do prefeito Quaquá e de Carlos Minc, acompanharam o ato o secretário municipal de Ambiente e o vereador Hélter Ferreira.

Antiga área será recuperada e transformada em parque; lixo passa a ser levado para centro de tratamento em Itaboraí

Após 16 anos, a prefeitura de Maricá encerrou as atividades do aterro municipal do Caxito. Nesta quinta-feira (14/03), o prefeito Washington Quaquá e o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, participaram do ato oficial de fechamento do espaço, que terá a área recuperada num projeto em parceria entre a prefeitura e o estado. A previsão é a de que o local, depois de remediado, abrigue um parque ambiental destinado especialmente à prática de esportes radicais. As cerca de 100 toneladas de lixo recolhidas diariamente já estão sendo levadas para o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Itaboraí, empresa vencedora de uma licitação realizada em abril de 2012 pela prefeitura.

O prefeito Washington Quaquá destacou os impactos positivos do fim do último aterro da cidade. “É uma revolução ambiental o que o Minc está fazendo (referindo-se à parceria do Estado com as prefeituras para a destinação adequada do lixo). Após a recuperação desta área, vamos construir um parque ambiental para competições de motocross e outros esportes radicais”, antecipou Quaquá. O prefeito ressaltou ainda que o fim das atividades no aterro do Caxito representa também a conservação do sistema lagunar de Maricá, já que o chorume contamina o lençol freático.

O secretário Carlos Minc anunciou que o estado dará um subsídio ao município, no valor de R$ 20 por tonelada de lixo, para auxiliar a prefeitura nas despesas com o tratamento do material em Itaboraí. Como o custo estimado é de R$ 50/tonelada, a prefeitura pagará os R$ 30 restantes. Ainda segundo o secretário Estadual de Ambiente, a contrapartida municipal será implementar ações de coleta seletiva na cidade – já há um projeto em andamento. “Hoje é um dia muito importante para Maricá e temos outros desafios a cumprir, em parceria com a prefeitura. O primeiro é recuperar essa área degradada e devolvê-la à natureza”, declarou o secretário, acrescentando que o Inea e a secretaria de Ambiente vão apoiar a criação de projetos de coleta seletiva e de reciclagem na cidade, para dar condições dignas de trabalho para quem vive do lixo.

Segundo o secretário municipal de Ambiente, Alessandro Terra, um projeto piloto de coleta seletiva está sendo preparado para alguns bairros. “A intenção é transformar esse lixo em geração de renda. A outra vantagem deste projeto é o aumento da vida útil do aterro sanitário, já que somente serão tratados os materiais orgânicos”, destacou o secretário.

Terreno ao lado do antigo aterro receberá um "Centro de Triagem"

A prefeitura de Maricá também anunciou hoje que vai criar um centro de triagem e reciclagem de lixo ao lado do terreno onde funcionava o aterro do Caxito. Neste local, serão instalados esteiras, separadores e compactadores para separar o lixo reciclável do orgânico – num trabalho que envolverá catadores e cooperativas de reciclagem que ainda serão cadastradas pela Prefeitura. Uma licitação para a compra dos equipamentos está sendo elaborada e a previsão é que as operações comecem, progressivamente, em pouco mais de três meses.

Emergencialmente, uma operação de transbordo está sendo organizada. Os caminhões compactadores vão levar o lixo coletado nas ruas da cidade até o terreno ao lado do antigo aterro e depositar o material em carretas especiais antivazamento com capacidade de transportar, cada uma, até 50 toneladas por viagem. De lá, as carretas seguirão para Itaboraí. Segundo o secretário municipal de Ambiente, Alessandro Terra, a prefeitura já solicitou o devido licenciamento junto ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) que deverá ser emitido até a próxima semana. Enquanto aguarda a licença, todo o lixo recolhido será encaminhado diretamente ao CTR pela Kat Entulho, empresa contratada pela prefeitura para a coleta.

Sobre a recuperação do terreno onde funcionava o aterro do Caxito, a prefeitura estuda com o Inea a criação de um Plano de Controle e Remediação(tratamento do solo com cobertura de argila e grama), para o local. Um diagnóstico preciso está em andamento para ter uma noção exata da dimensão do passivo a ser remediado. “O custo será dividido entre estado e prefeitura. O primeiro passo será o de tratar o chorume, o líquido altamente tóxico resultante da decomposição do lixo orgânico”, explicou Alessandro Terra.

A extinção dos lixões é uma determinação da lei federal 2.305, de 2010, por meio do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece a substituição por aterros sanitários até agosto de 2014. Os aterros têm preparo no solo (nivelamento de terra com o selamento da base com argila e mantas de PVC extremamente resistentes) para evitar a contaminação de lençol freático, captam o chorume e contam com a queima do metano para gerar energia.