Membro da Anistia Internacional nos Estados Unidos visita Maricá

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Keith Jennigs disse a Washington Quaquá que quer manter contato com a cidade nos próximos dois anos

O prefeito Washington Quaquá recebeu em seu gabinete nesta quinta-feira (25/11) o norte-americano Keith Jennigs, professor da Universidade de Georgetown e diretor da Anistia Internacional em Washington, nos Estados Unidos. Antes do encontro, Jennigs deu uma palestra no Painel de Diálogos e Etnodesenvolvimento, evento que compôs a Semana de Direitos Humanos, Cidadania e suas Diversidades e que ocorreu no auditório do Colégio Cenecista Maricá.

Durante o encontro, que teve a participação da secretária executiva e primeira dama do município, Rosângela Zeidan, o prefeito explicou os trabalhos feitos em favor das minorias em Maricá e afirmou que quer firmar parcerias com órgãos americanos que atuam no setor.

“Espero que este seja o início de uma parceria duradoura, pois é uma área importante para o nosso governo, que sempre priorizou o atendimento às questões ligadas aos direitos humanos”, afirmou Quaquá.

Keith Jennigs respondeu ao prefeito dizendo que pretende manter uma agenda com a cidade nos próximos dois anos e que colocará o governo de Maricá em contato com universidades americanas, como a Georgia Institute of Tecnology e a Clark Atlanta, esta uma tradicional instituição voltada para a comunidade negra.

“Gostei muito da união que existe aqui em torno do trabalho na área dos direitos humanos, várias pessoas dedicadas a esta causa. Quero também convidar o prefeito para ir aos Estados Unidos e conhecer nosso trabalho in loco”, disse o professor no fim do encontro.

“Racismo é ilógico e socialmente perigoso”

Na palestra feita pela manhã, Keith Jennigs iniciou sua fala traçando um paralelo entre os perfis de racismo em seu país e no Brasil.

“As histórias são bem parecidas, pois lá tivemos mais de duzentos anos de escravidão e outros tantos de genocídio de índios. Para nós, no entanto, a vitória do presidente Barack Obama tem um simbolismo muito forte, até porque ele teve uma votação esmagadora entre as minorias americanas”, relatou Jennigs, que classificou o racismo de “ilógico e socialmente perigoso” e fez uma alerta sobre a atual situação nos Estados Unidos.

“O que acontece hoje por lá é muito perigoso para nós e para o mundo. Espero que o Brasil entenda seu papel nesse processo porque, ao contrário de nós, o país optou por um avanço ao eleger uma mulher presidente. O Brasil representa o futuro do mundo”, declarou.

A mesa diretora foi composta pelos secretários municipais Marcos de Dios (Direitos Humanos), Cláudio Jorge Soares (Agricultura, Pecuária e Pesca) e Wagner Medeiros (Turismo), que também atuou como intérprete, além do subsecretário Togo Ioruba (Diversidade Racial). Outra presença ilustre foi do deputado federal Edson Santos, que afirmou que o Brasil realmente sofreu por anos mesmo com uma espécie de discriminação histórica.

“O país tem muitas figuras negras que foram importantes na história do país, mas que estão sendo reconhecidas tardiamente, como é o caso do marinheiro João Cândido, que só agora é visto como alguém com um papel preponderante”.